A marte com carinho

Pra quem curte porralouquice, aqui tem…made in marte.

7/7/06

O DIA QUE NUNCA EXISTIU.

        Felipe tomou coragem e disse - Vou mudar de vida! - disse também que ia dar uma volta e meia no mundo. E foi com tudo.
        No meio do caminho tinha uma pedra, ela passou por cima e tamanho foi a força, que caiu bicicleta pra um lado e ele para outro. Não deu outra: traumatismo craniano e braço quebrado.
        Pra sorte dele meu inimigo, o Bartolomeu, estava por perto e lembrou de mim na hora. Demorou, mas acabaram os dois batendo de ambulância no meu trabalho.
         Trabalho no hospital Érick Bonanohensen, sou enfermeiro mas nunca entendi o por quê desse nome para o hospital. Até que Dona Cissinha ,que trabalha na copa, contou tudo.
        Bonanohensen nem doutor foi, mas chegou aqui, salvou deus e o mundo e acabou morrendo em um acidente de trânsito. Como o pai dele era amigo de um vereador, homenagearam o hospital com seu nome e o Dr. foi de brinde. Mas olhando bem, Érick Bonanohensen soa bacana. Já pensou se fosse Josefino Miranda? Que feio. Deixa o Bonano mesmo.
          Quando Felipe chegou todo arrebentado no hospital, só estava eu e o doutor Thiago em serviço ( Esse Thiago é doutor mesmo, formado na Bolívia e tudo). Providenciei a cama para o enfermo e enquanto isso, Bartolomeu explicava todo o fato. Quando Bartô saiu da sala eu saquei tudo.
          Era uma terça-feira de copa, com Brasil x Estônia. Bartôlomeu saiu correndo pra assistir a sós o jogo com a Renata. É muito idiota um cara desse, nunca gostei de Renata, mas sim da Sabrina, sua irmã. Era mais gordinha, torcia pro Flamengo e bem mais simpática. Ele também gostava dela, mas pra azar geral, Sabrina curtia a mesma que a gente. Então pra Bartô, só o fato de dizer - Mas tô com a irmã - já era um amuleto único. Que idiota!
        O jogo começou, estouravam fogos de artifício por tudo que é canto. Olhei para o lado - Ué, cadê o doutor Thiago? - Sumiu.
         Ví meu dia completo: jogo da seleção, a cidade inteira assistindo, Bartolomeu vendo o jogo com a Renata, Sabrina sabe lá deus aonde, o doutor Thiago em algum botequim e eu no hospital cuidando de Felipe que acompanhava um braço quebrado e um traumatismo craniano.
         Sentei na cadeira e respirei. Inspirei e respirei, igualzinho aprendi na tevê. Inquieto, levantei e fui ver a expressão do paciente e disse:  Calma cara, vai dar tudo certo. Se ainda não deu certo é por que não terminou.
         Quando dei por mim pelo o que tinha feito, calei imediatamente. De onde tirei isso? Pior; O que é isso? - era tudo o que minha cabeça se perguntava.
         Antes que ele duvidade de minha macharesa, calei minha boca. Tava na cara que iria esquecer tudo. Bem, devia.
         Deu foi merda. O cara teve um ataque momentâneo, nem deu tempo deu saber se eu era assistente de enfermagem ou enfermeiro. Pra todo efeito eu era médico, tão médico como fora o "doutor" Érick Bonanohensen.
          Abri as janelas pra circular um vento, taquei umas compressas na testa do paciente pra aliviar a alta temperatura e taquei também, desculpa. Injetei morfina na veia dele até que ficasse bastante calmo.
          Bem, o Brasil venceu a partida por 2 a 1. A copa ele não levou não. Felipe saiu do hospital três meses depois, tinindo igual novo. Eu sair bem antes, na primeira sindicância que perceberam a falta de morfina no estoque, caçaram meu emprego. Como tudo tem seu lado bom, Renata deu um churros pra Bartolomeu, foi tudo que ele comeu. Ela saiu dizendo comprar cerveja e o coitado até hoje espera a gelada. O doutor Thiago, quase larga a medicina pela engenharia, mas não, passou num concurso e virou funcionário público lá pelas bandas de Alagoas, o cara deu nem tchau.
          A cidade que nem gosta de fuxico, ganhou um do ano. Renata e Sabrina, se juntaram. O fato casou alarde geral, incesto e lebianismo juntos na pequena Pequenópolis. Saiu nos jornais da cidade vizinhas, até a rádio comentou o babado, a mesma rádio que estagiei, mas não demorei muito por me candidatei a vereador e detalhe, fui eleito. Ainda que virando vereador, ninguém me chama de doutor. Tudo bem, hospital não tenho, mas batizaram um ginásio com meu nome.

                                                                        Álisson Oliveira

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1/7/06

ADMIRÁVEL AMOR INDOLOR

         Júlio era atônimo de Antônio. Eram aversos ao dobro, triplo e o que mais pudesse elevar.
         Antônio era Flamengo, Júlio, Botafogo.
         Júlio gostava de empinar papagaio, Antônio peteca.
         Antônio gostava de ovo mal passado. Júlio nem de ovo gostava.
         Júlio era argentino, Antônio brasileiríssimo da família SILVA. 

         Dois aversos e, por mal maior, vizinhos! Bairro Jardim Caramelo, mesma rua, só um número de diferença.
         Em uma quarta-feira chegou Ricardo pra morar na rua de trás. O cara era todo bam-bam-bam. Foi só rolar uma partida de futebol que se desentendeu com Júlio e bateu nele. Antônio correu pra dá os parabéns e também levou porrada. Ricardo não curtia babação.
        Júlio passou a odiar Ricardo por ter batido em Antônio primeiro. Antônio odiou Ricardo por ter batido em Júlio e não tê-lo chamado.  Pela primeira vez em vida Júlio e Antônio se igualavam em alguma coisa, o ódio. 
       Na tarde de quinta, Júlio pegou uma faca e foi tirar satisfação com Ricardo, dobrando a esquina deu de cara Antônio também armado na cintura.

- Vou pegar o Ricardo - disse Júlio
- Não antes de mim - retrucou Antônio 

      Os dois ficaram no empurra-empurra e sai pra lá, até que um levantou a faca e imediatamente ambos guerrearam duro até tombarem no chão.
       Ruim foi pra Ricardo, deu a hora de jogar bola, correu pra pracinha mas antes disso se deparou com Júlio desfalecido com a cabeça voltada para o sul e a de Antônio para o norte. 
       Ele chorou muito, era total sua infelicidade. Segundo os vizinhos jamais a dupla Antônio e Júlio, dividiriam a morte. Então Ricardo foi atuado como autor do crime e em seguida preso. Na cadeia Ricardo esqueceu seu nome e virou boneca de cela de Marcão.

* Marcão - Marcão do Nacional, bandido de alta pericosilidade cujos feitos hediondos o tornam o criminoso de maior temor no sistema prisional de RO.

                                                                       Álisson Oliveira

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30/6/06

FADA MADASTRA

  O Reino do Mundo Encantado acordou esquisito, seu céu deixava de ser o mais belo dos céus, o campo estava com um verde fraco e distinto. Parecia que uma anunciação estava por vir. 
  Veio.
  As fadas caminhavam para o esquecimento, muitas nem sinal de vida davam. Casos incoerentes ocorriam a todo instante, uma das fadas destinadas para salvar João e Maria se perdeu e não pode cumprir sua missão, enquanto isso, sabotaram o relógio da fada madrinha que acabou presa no mesmo mundo de Cinderela. 
  Ninguém sabia mais a quem recorrer, o Mundo do Reino Encantado estava em completo perigo. Zoghi um cavalo falante sugeriu que a população apelasse ao conselho dos gnomos. E o pior foi revelado, o conselho já não existia, morreram todos num genocídio por cogumelos.
  As fadas pela primeira vez se viram sem forças, apenas uma não chorou, Stefanie di Mato Grosso. A par de toda situação declarou estado de sítio e se autodenominou o poder de todo o Mundo do Reino Encantado. Estava instaurada a Dinastia Stefanieniana. 
  Contrárias a arbitrariedade de Stefanie, o MFDC, movimento das fadas dona de casa, protestaram e não foram só. A UFE - União das Fadas Estudades, CUCF - Central Únicas dos Cavalos Falantes e todas outras entidades mundoencantadianas protestaram, até mesmo a OFME - Ordem das Fadas do Mundo Encantado levantou a legalidade da ação.
Esperta como só ela, di Mato Grosso não deu o braço a torcer, chamou populares a um campo florido e trovejou:

Caros cidadãos do Mundo Encantado, nosso habitat já não é mais o mesmo. O verde é cinza, os campos estão fracos e nós fomos abandonados. Nossos representantes sairam daqui pra salvar criaturas alheias, povos alheios e nunca mais voltaram. Agora nosso povo sofre desolado…

Os gritos de Stefanie abalaram o emocianal da população. Era algo irredutível, o poder Stefanieano fora eleito em assembléia geral com 87% de aprovação. Pobres fadas, gnomos, cavalos falantes nunca mais teriam paz de volta. Stefanie mesmo populista aplicava a fúria de uma ditadura sem precedentes. Mandou importar dragões de outros reinos, subornou gnomos e duentes pra falarem bem de sua administração, prendeu fadas para trabalhar à força no sistema de desefa mundoencatadiano e ainda por cima, expulsou todas as fadas de poderes mágicos mediocres.
   A tirania da fada Stefanie di Mato Grosso por seu caráter expansionista acabou ficando conhecida por reinos distantes do Mundo Encantado. Muitos quiseram assinar tratados com Stefanie mas sua arrogância não permitia dividir. Numa atitude leviana, ela mandou sequestrar o espelho mágico da bruxa de Branca de Neve. Injuriada a bruxa declarou guerra à Stefanie di Mato Grosso e todo o Reino do Mundo Encantado.
   Uma frota incontável de unicórnios invadiu o terreno mundoencantadiano, despejando maças enfeitiçadas. Stefanie ordenou que ninguém consumisse as maçãs, por mais faminto e insano estivesse, o cidadão teria que resistir a tentação.
   Ninguém comeu, mas o que Stefanie não sabia é que mesmo as maçãs não sendo consumidas o veneno não pereceu. Elas apodreceram liberando um gás maligno por todo o mundo encantado. Foi um ataque biológico que provocou uma epidemia que levou terça parte da população à morte.
Stefanie devolveu o espelho mágico pra bruxa. Isso foi o de menos; os poucos sobreviventes montaram uma revolução e invadiram a sede governamental. Ela fugiu as pressas e montou uma reunião secreta com o GF-7 (Grupo das 7 fadas mais fodas): Denise, fada da região Florida; Mônica, fada responsável pelo militarismo e comunicação; Rafaela, mais conhecida como CRAISE, fada do 1º Distrito do Mundo Encantado ; Carla, fada da ala sulmundoencantadiana; Iane, que não era bem uma fada mas respondia pelo departamento de integração (Gnomos, Cavalos Falantes…) e a Aline, fada laranja.
   A reunião definiu o inevitável, a extinção do Reino do Mundo Encantado. O mais intelectual dos gnomos foi contratado pra escrever uma carta dossiê que declarava tudo do início do Mundo Encantado, suas belezas, suas histórias fascinantes, um lugar livre que serviria de exemplo para todos os mundos. Toda era boa foi relatada o resto não importava. A carta após conclusa seria encaminhadas a todos os mundos pra ser difundida da maneira que melhor coubesse. Por último, o GF-7 decidiu que o último cidadão mundoencantadiano seria preservada à vida e enviado pra outro lugar. Nasceu uma menina! Com pouco tempo restante ao Mundo Encantado, resolveram homenagar à aliança. A criança receberia a inicial de cada um dos membros, exceto Stefanie. Estava batizada a DEMOCRACIA.
   O mundo encantado foi fechado, pouco se tem notícia dele senão nos contos. Já a Democracia, esta nunca esqueceu suas origens.

                                                 Álisson Oliveira

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14/5/06

Entre 3 pontos e a Interrogação

Centralizar a idéia próximo do ideal,
Que ideal é esse que tanto centraliza?
Mas o que é centralizar?
Qual o sentido?
Qual é o meu ideia?
Qual é o meu ideal?
Eita!
Mundo tá perdido…
Ou será que está perdido?
Eis a questão…
Mas que questão?
Não sei !
Como não sabe?
Não sei!
Mas você não sabe tudo?
Eu não sei de nada.
Mas quem é você?
Ah!…sou sua….
Sua o quê?
O quê?
O que você é meu?
Consciência.

"Alcançar a minha consciência…
essa é a idéia do meu próximo ideal."

Ou não?

           
                                                                   Venusiana*

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14/4/06

PUM DE PENÉLOPE


     Acabou o intervalo, é o terceiro tempo, prova de inglês na tora e Penélope
solta pum.

    _  Porra Bia, tu peidou! (ALGUÉM)

    _  Não foi a Bia! (ALGUÉM QUE GOSTA DE BIA)

    _  Como tu sabe? (ALGUÉM QUE NÃO SUPORTA A BIA)

    _  Foi o Ricardo Hikague (UM OUTRO ALGUÉM)

    _  Por que eu? (Ricardo Hikague)

    _  Por que tu é japonês, japonês é amarelo. (BIA)

    _  Olha minha mão aqui, branquinha pô. (Ricardo Hikague)

    _  Gente a Penélope tá vermelha (ALGUÉM QUE NÃO SUPORTA BIA)

    _  Penélope foi você? (Professora)

    Toda desarticulada a pobre acena a cabeça sem graça. A professora se
aproxima e vai conversar, explicando que não se isso em sala de aula e, que qualquer coisa era só pedir pra sair.

    _ Foi a prova tia (Penélope)

    _  A prova? Você ficou tensa por causa da prova?

    _ Eu nã-nã-ããããã-ôôOÔÔ cu-cusêquiíííí revolvêêÊ essa ques-questã-o-ôôô aqui:

c) WHAT ABOUT THE CAR?

   _ Não chore filha, preste bem atênção, qualquer coisa a gente corrige juntos depois. Chora não, tá?

   _  Também não é pra peidar não! (Ricardo Hikague)

   _ Ricardo! (Professora)

   _  Ixe tu não sabe o que aconteceu quando o pai dela deu uma bicicleta no natal…(ALGUÉM)

                                                            Álisson Oliveira

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1/3/06

DIÁLOGO.

  Toc, toc, toc

  Quem é? (EU)

  Eu! (ALGUÉM)

  Amor? (EU)

  Sim, abra logo a porta. (AMOR)

  A porta é aberta.

(EU)   Há quanto tempo, hein?

(AMOR) Não vai me convidar pra entrar?

(EU)  Adianta?  Tu entraria do mesmo jeito.

(AMOR) Relaxe, tem chapanhe?

(EU)  Não há nada de romântico por aqui cara.

(AMOR) É o que você diz, mas pra todo caso, aceito água. Sabe né? Não me canso da vida.

(EU)  E você, por que surgiu assim de tão de repente?

(AMOR) Não busque razões pra mim amigo, eu surjo e pronto. 

(EU)  Você e seus enigmas.

(AMOR) À vida! (Lentanta o copo em saudação)

(EU)  Sua prima pintou por aqui.

(AMOR) Sério? Como ela está?

(EU)  Sabe como é a Paixão, vem rasgando tudo, toda força e mínima descrição. Mas ela confunde, faz juz à família.

(AMOR) Eu não confundo, sou certo.

(EU)  Certo? Morro de medo de você.

(AMOR) Ah, então o garoto me teme.  Ela não saiu de sua mente. né?

(EU) Sabes mais disso do que eu.

(AMOR) Sim eu sei. Acalme-se

(EU) Saia daqui!

(AMOR) Já disse, acalme-se, sei que não é tolo pra competir em fúria comigo.

O amor vira de costa, enquanto o outro cai no chão em lágrimas:

(EU) - Por que você faz isso?

(AMOR) A pergunta deve ser: Por que você não me deixar falar com você?

(EU) - Te odeio!

(AMOR) Não é hora do ódio entrar em cena garoto.

O AMOR deixa o copo, se agaixa e  beija a testa do jovém.

(EU) Ei porra! Não vá, eu não quero ficar só. (Corre a porta e já não há mais ninguém)

Silêncio…

                                                                          Àlisson Oliveira

 

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28/2/06

FORA DE ÉPOCA

   Querido Papai Noel, venho até o senhor de forma burocrática e informal solicitar sua compaixão para que o mesmo me encaminhe um amor.

    Ah! Não aguento isso, é muito chato. Vou tentar de novo.

   (DE NOVO)

   Papai Noel colega, lance é o seguinte, sei que já bem dizer estamos em Março, aí a autoridade mais próxima é o Coelhinho da Páscoa, mas quando solicitei esse filho da mãe, tudo que ele me disse foi: Meu Ovo!

   Ai que raiva, desse desgramado. Deixa, ele vai ver. Tomara que o preço do chocolate aumente bastante, bastante mesmo. Pra que o filho duma égua fique com os ovos bem pequeninhos. Não que eu guarde rancor Papai Noel, mas ouvir  "Meu Ovo" é abuso além da conta.
   Por isso venho encarecidamente pedir um amor pra você, sim, um Papai Noel fora-de-época iria bem. E nem vem com papo de que está longe, trabalhando, que eu lhe fraguei lá no Bloco do Vai Quem Quer, com os dedinhos pra cima e uma latinha de cerveja na mão.
   Me disseram que você é um bom velhinho, de repente vai que você é bom de papo também, então pô! Descola um gato pra mim e talz. 
   Assim…eu sou boa menina, de família e talz. Meu pai disse que eu sou muito nova pra namorar, detalhe que ele é publicitário! Já minha mãe é gente boa, ela também trabalha e não fica frescando não. Olha Noel, eu vou até pra igreja aos domingos. Pô, quebra um galho aí velho! Vai? Depois a gente se entende. Poxa eu num sou pouca merda não, estudo belezinha, gazeto pouco, tiro até notas boas. Sou burra não! Só não estudo mais, pra não levar fama de nerd , isso seria péssimo pro meu marketing pessoal. Tu sabe, né? Marqueteiro igual tu não tem, gerações e gerações na lembrança de todo mundo. Só não digo que tu é foda por que prometi pra mamãe não falar mais coisa feia.
    Então Papai Noel, vai me atender? Mas tem que se breve pô, de preferência bem antes de dezembro, poxa tu quer trabalhar só no expediente pow. Até o final do ano, nada! Melhor eu me virar sozinha do que esperar tanto. Ah! Olha bem o pedido: QUERO UM AMOR. Não vem com lance de enviar paixão não. Putz! Aquele Igor, ninguém merece. Só queria saber de assistir DragonBall. Fala sério.
   Me manda um Amor Noel, de verdade, pra mim fazer inveja pra minhas colegas. Não sou muito exigente não. Um cara de 1,70, olhos castanhos, bem de fala, inteligente, com um olhar bacana, um nariz afilado grande mas nem tanto. Que manje de matemática o suficiente pra me ajudar na recuperação, já tá no jeito. Senão der pra ser bonito, tudo bem, minha vó diz que o que os olhos não vêem o coração não sente. Acho que ela amava muito o vovô, pois ela é cardiaca e eles tão junto até hoje.
   Bem Papai Noel, tô indo ao cinema com minhas primas. Pense bem no que lhe disse. Um amor hein? Tô contando com o senhor. Não esqueça e nem erre o meu nome: R-O-B-E-R-T-A, Roberta Oliveira. Viu?
   Vixe! Meu pai chegou. Pois é velho, não vai vacilar hein? Tchau e beijo =*

                                                                 Álisson Oliveira

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22/2/06

Caralho, por ele mesmo.

    Eu, o caralho, declaro que nenhum, exatamente nenhum
filho da puta está autorizado a falar em meu nome. Tô só vendo
esse lance, de Caralho isso, Caralho aquilo, Legal pra Caralho, Bom
pra Caralho. Vem cá! te conheço? Ninguém, ninguém meeeesmoo, está
autorizado a falar caralho nessa porra! Falo isso por mim e pela porra,
já que esta é minha filha e também tem sofrido constante abuso por intermináveis pessoas de má indole que sem mais o que fazer, nos difamam em episódios de ira e contravença.
    Se você está puto e sabe-se lá mais quem, digo logo: Nada tenho a ver com isso. Vá você e sua raiva pra puta que pariu, esta não é da minha família, mas sei que posso chamar a puta do modo que eu quizer, pois somos íntimos. Saca?
   Voltando! Está categoricamente proibido o uso de caralho como palavrão, sou um cidadão e exijo bom tratamento e respeito por todos. Falo por bem, por favor não me faça usar da ignorância, pois se assim eu fizer, sai de baixo, não queira me ver com raiva. Um abraço pra todos e até mais.

 

Anteciosamente,
Dr. Caralho.

                                                        Álisson Oliveira
  

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14/2/06

Revelação

   Uma noite confusa, nem arrisco dizer que horas eram. Foi um susto imenso, me ver encima de meu corpo, transportado. Primeiro me espantei: Meu Deus como sou feio! - Depois me assustei novamente, dessa vez em pior grau. Estaria eu morto? Olhei pra minha barriga, por sorte ainda subia e descia normalmente, olho para os pulsos e também pulsavam,um alívio e tanto.
   Sim eu estava transportado, queria entender tudo aquilo, mas estava a anos luz de minha compreensão. Andei pelo quarto, ví meu irmão roncar, fui ao banheiro e estava fedendo, pulei para o quarto da mamãe, quente. Fui mudando cada ambiente por vez. Me cansei muito rápido, se  a casa é tão pequena, no mínimo meu novo estado me quebrara a resistência. Resolvi sair de casa, na rua não havia ninguém, pensei em um taxi, mas nenhum parava para visagem, pensei que eles fingiam não ver, mas o lance é que eles não viam mesmo. Um carro diminuiu a velocidade, me taquei dentro pela janela, acho que eles sentiram um "algo a mais" no veiculo. O homem parou o carro e olhou para a sua mulher também preocupada, a menina de 07 anos que estava no banco de trás me viu, não sei como, mas não só viu como gritou e bem alto. Pulei dali num estalo, estamos certo que sou feio, mas não merecia tamanho berro.
    Estava no meio da avenida, veio um furgão vermelho em minha direção, quiz correr pra calçada, mas ele já estava encima. Tanto medo foi em vão, eu passei no meio dele, igualzinho o filme Ghost. Tentei não entrar em desespero, ora, afinal eu ví meu pulso e pulmão funcionando, não posso estar morto. Fechei os olhos e concentrei-me no silêncio, o vento acabou me levando. Isso! eu estava gastando energia a toa, nada de correr ou pegar taxi, flutuar era melhor negócio. Deixei o vento me levar sem um por quê, algo meio que instintivamente me tragava rumo ao rio e a mata. Rapidamente já me encontrava diante do Rio Madeira. Abrir os braços numa simulação fajuta de Titanic, no meu caso não sei se seria versão cabocla ou angolana do filme. Bem, solitária seria, pois estava só de marré de si na noite fria, sem qualquer direito a Rose.
      Ver o rio madeira à noite era medonho…
      Não quiz ficar ali muito tempo, então continuei no plano de me deixar conduzir pelo vento, com os olhos cerrados parei em uma pequena vila, não satisfeito fechei os olhos novamente e ao abri-los me encontrava no portão do cemitério.
      Uma moça de estatura mediana trajando branco das cabeças aos pés me aguardava. Pelo menos penso.
      Oi - disse ela - Oi - foi o que retruquei também. Ela puxou papo, quase que pergunto o clichê: "Te conheço de algum lugar?" mas não era o momento mais adequado. Então deixa-a comandar o bate-papo e logo descobrir que aquela moça, estatura mediana trajando branco, tratava-se da própria Mulher de Branco.
     Ela me revelou tudo, se chamava Fabiana Levels e trabalhava para a fabricante de sabão OMO, ela morreu em um acidente que houve na empresa e a mesma nunca a indenizou, sequer a família. Por anos tentou puxar os pés dos dirigentes da Unilever, mas eles investiram rios de dinheiros na construção de um campo ultramagnético anti-seres-alheios que não deu alternativa a Levels. Ela tentou recorrer a seus colegas fastasmas, mas pra seu azar descobriu que a classe espectral é das mais desunidas que há: "São todos muitos dispersos, ficam vagando por tudo que é canto mas trabalham em conjunto" - dizia.
     Pra mostrar sua força, a OMO criou uma estratégia funcional de marketing para o produto e em pararelo fez um sistema de comunicação que caiu no boca-boca, a Mulher de Branco.
    Pobre Levels, sem saber que a morte numa fábrica, sem direito a indenizações seria desgraça pouca, acabou virando temida conto, uma mulher que pegava carona com caminhoneiros e sempre parava na frente de um cemitério. ! Ela chorava no meu ombro, tentei abraça-la mais, mas acabava a atravessando. Então deixei quieto. Do nada meu deu um treco esquisito, um necessidade de voltar. Era coisa muito forte, algo muito pior, muito pior que a ira de uma diarréia. Lhe expliquei que eu era vivo e talz que estava só em um tur estranho e talz, madura ela entendeu e me deu dois beijinhos. Três não. Três é pra casar, e como minha mãe diz pra mim nunca desejar para os outros aquilo que não quero a mim, dois estavam de bom tamanho. 
     Ela me disse  Adeus, me afastei e prometi que caso comprasse sabão em pó, seria o Bijú ou coisa similar, ela riu e falou que iria me esperar, pedi que não tivesse pressa, afinal uma vez juntos, teriamos toda uma eternidade pra conversar.
    No que ela balançou a cabeça, foi minha deixa pra eu fechar os olhor e me concentrar no vento. A volta foi muito mais rápido, bem dizer express. Tive só um trabalhinho pra encaixar alma com corpo, mas feito isso, foi só abrir os olhos. Meio tonto, passei a mão no meu bucho, tudo ok. Subi-a para o peito, tudo beleza. Eu, vivinho da Silva. Aliás, de Oliveira. Olhei para o lado não tinha padre, olho para o canto, lá está minha porqueira que às vezes apelido de computador, lembro que tenho um blog, então o último passo foi só respirar fundo. Como vê, sou um novo homem, está feita minha confissão.

                                                                   Álisson Oliveira

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10/2/06

Morte de Francisco

 

    Sábado, tamanho dia de sol. O safado do Francisco inventa de morrer, e o pior! Sem pagar minha dívida.
    Como todo enterro, todo mundo de preto chorando e chorando. Não sei se era pelo defunto ou pelo sabadão perdido. O certo é que quem mais chorava era a esposa do falecido, Joana, que não só chorava mais também batia em Igor, seu filho, pra ver se ele parava de olhar para o relógio de 05 em 05 minutos e a ajudava a chorar também.
    De repente, aparece uma gorda vestida de verde, parecia uma sapa, querendo chorar mais que a viúva. Joana pra não ficar pra trás, aumentou o volume, a gorda reagiu e dá-lhe berro de lá e de cá. Num duelo bizarro: Joana X Gorda.
    Ruim mesmo foi quando Joana descobriu que a gorda era amante de Francisco, ela pulou encima da "sapa" e as duas foram rolando pela grama, trocando fios de cabelos, arranhões e gritos, muitos gritos!
    Quem era pra chorar ou pelo menos separá-las, gritava também. Era todo mundo fazendo suas apostas. Pasmem! Até o padre.
    Não sei que fim deu essa história, tampouco arrisco o paradeiro póstumo de Francisco, mas rezo, rezo muito pra nunca mais ter de entrar em um programa de índio desses.

                                                            (Álisson Oliveira)

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